Parece brincadeira de criança, mas é trabalho sério. Até para as crianças. Um pequeno roteiro, desenhos coloridos, massa de modelar e ali está uma miniprodução audiovisual quase pronta para ser exibida. No terceiro dia da Oficina de Animação – Stop Motion, os participantes já exibiam o resultado do aprendizado das técnicas que introduzem no maravilhoso mundo em que objetos inanimados ganham vida, quadro a quadro, até formarem uma estória completa.
No grupo que participa do curso, ministrado desde quinta-feira e que termina amanhã (31), no Centro de Convenções, os irmãos Ian e Lia Rocha Yamaguchi chamam a atenção. Inteligentes e muito interessados, falam com a experiência de ‘quase profissionais’ que já exercitavam em casa o interesse pela arte do stop motin. “O legal é surpreender as pessoas. Mostrar o vídeo pra alguém que não sabe como foi que você fez, aí fica como se fosse uma coisa fantástica. Ou quando a pessoa sabe, admira o trabalho da gente”, analisa o jovem realizador, de 9 anos, que ao ver a programação do Festival imediatamente pediu aos pais para fazer a oficina.
Para a irmã, Lia, 6 anos, a razão de gostar da criação em stop motion não tem mistério: “Eu gosto muito porque a gente pode criar as coisas, dar vida pra um objeto que não se mexe e nem fala”.
No grupo que participa do curso há professores, estudantes universitários, integrantes de Organizações Não-governamentais. Todos buscando na linguagem da animação maneiras diferentes e interessantes de levar suas mensagens. “O audiovisual é uma ferramenta muito interessante para que todo mundo se expresse, e o nosso esforço com oficinas como essa é dar oportunidade para as pessoas conhecerem o que é possível fazer”, explica o instrutor Alexandre Sogabe, arte-educador do Museu da Imagem do Som.
A oficina introduz as técnicas do stop motion, com uma metodologia preparada com foco no caráter lúdico da animação. “O que queremos é mais despertar a paixão pelo audiovisual”, ele resume. Paixão despertada, e mãos na massa, vem o resultado, sempre surpreendendo os próprios criadores. “O que mais chama a atenção deles é quando o trabalho começa a certo”, diz Sogabe.
Nos dois primeiros dias do curso, os alunos criaram um pequeno roteiro e elaboraram um story board. Tudo muito simples, um planejamento, em papel sulfite, simulando, como numa estória em quadrinhos, a estória que querem contar. Neste sábado, véspera do encerramento da oficina, bonecos de massinha e materiais diversos já estavam quase todos prontos para serem fotografados. Cada segundo de vídeo precisa de oito quadros, oito fotografias sequenciais, onde pequenos detalhes dos personagens são modificados. Depois, as imagens ganham movimento em um programa de computador.
Para o trabalho final da oficina, os aprendizes vão produzir um vídeo de 15 segundos – criando movimento seqüencial em 120 fotos.
No domingo, estréia na casa da família Yamaguchi a produção dos ‘diretores’ Ian e Lia. Massinha, minúsculas lascas de madeira, árvores à canetinha recortadas do papel, e pronto. Na estória, um inocente boneco precisa ser salvo da forca e escapar das garras de dois homens maus. O mocinho – um arqueiro ‘vestido’ de massa de modelar verde, inspirado no herói Hobin Wood – chega de repente. Tenta uma, duas vezes e erra, até que na última flechada acerta a corda e salva o prisioneiro. Termina o suspense, mas ainda resta um toque de humor. No último ‘take’ do vídeo, ele percebe que há ainda muitos outros em perigo! FIM. Ou quem sabe, o 13º Festival de Inverno vai trazer a parte 2 dessa estória.
Gizele Oliveira

