Dizer que poesia “é música para os ouvidos” não é só metáfora para o “Chama Poética”, um grupo de São Paulo que se apresentou em Mato Grosso do Sul pela primeira vez durante o Festival de Inverno de Bonito, neste sábado (30). No palco, declamadores e músicos se alternam, em um sarau que é pura emoção.
O espetáculo, dirigido por Fernanda de Almeida Prado, conta também com as participações dos artistas Daniela de Almeida Prado e Fernanda Conrado (declamação), e Elio Camalle e Gabriel de Almeida Prado (música). Para o Festin, Fernanda escolheu a produção “Os quatro elementos”. “Somos, ao todo, umas 40 pessoas, em vários espetáculos diferentes. Para Bonito, escolhi essa temática, sempre pensando também no sentido simbólico, como o fogo sendo o amor, por exemplo, e lembrando que há um 5º elemento, que é a pessoa amada”, conta a diretora. “Também selecionei poesias pensando nas meninas [as outras duas jovens declamadoras], no que seria mais indicado para a declamação delas”, conta a diretora.
O “Chama Poética” nasceu há sete anos, quando Fernanda decidiu recriar uma iniciativa desenvolvida pelo pai, o poeta Antônio Lázaro Almeida Prado, à época em que ela era criança, na universidade fundada por ele, em Assis (SP). As poesias para compor os espetáculos são escolhidas de diversos autores – consagrados e novatos. Descobrir revelações nesse mundo de delicadeza é, aliás, um dos objetivos do projeto. Fernanda cita Raiça Bonfim, que ela conheceu por meio de um texto na internet e que agora já tem suas produções inseridas no programa dos saraus do Chama. “Escolhemos poetas novos, ou que não são conhecidos em determinada região, para dar a conhecer ao público”, conta Fernanda.
No Festin, a ilustre seleção mereceu deferência ao ‘filho da terra’ Manoel de Barros, com dois textos - um deles, “O Apanhador de Desperdícios”, onde o poeta diz: “fui aparelhado para gostar de passarinhos./ Tenho abundância de ser feliz por isso./Meu quintal é maior do que o mundo". Em quase uma hora de espetáculo, o público se deliciou também com textos de Pablo Neruda, Altair de Oliveira, Manuel Bandeira, Rubem Alves, Chico Alves, Thiago de Mello, e muitos outros.
As declamadoras dividem o palco com os músicos Gabriel de Almeida Prado Elio Camalle, que ao som de suaves acordes de violão e guitarra se alternam na apresentação de composições tão fortes – e tão delicadas – quanto as poesias faladas. Camalle, compositor experiente e com inúmeros trabalhos, é o autor da maioria das canções. O romance, o amor, o renascimento, a vida, o encantamento, - às vezes um pouco de tristeza, às vezes uma dose delicada de humor – são parte das letras que harmonizam com as poesias declamadas.
Depois de aplaudir a apresentação, o público do Festin ainda recolheu com prazer do Varal da Poesia cópias dos textos apresentados durante o sarau.

