Sem cerimônia, Mart’nália reuniu os amigos e tomou conta da Praça da Liberdade com uma gigantesca roda de samba na noite deste sábado (30). Como “os amigos” eram milhares, quase faltou espaço em toda a rua em frente ao Palco Fala Bonito, nas calçadas, no gramado.
A cantora foi a atração principal desse palco, que mais cedo recebeu Marina Dalla e Zé Pretim. A total descontração com que ela se apresenta deixa o show muito mais com cara de um grande encontro de amigos para cantar e dançar do que de um espetáculo onde público e artista estão em lados diferentes. “Dizem que em Bonito eu ‘tô’ em casa, então...”, disse a sambista, deixando claro que a ideia ali era mesmo se divertir – ela tanto quanto a animada plateia.
As referências africanas do CD que gravou passando por Angola e Moçambique estiveram presentes nas músicas que abriram a apresentação. Do continente negro, uma ligação direta de volta com o Brasil, e, como “não tem como lembrar a África sem lembrar a Bahia”, uma homenagem a Caymmi e Jorge Amado.
Depois, uma seqüência empolgante de conhecidos sambas, que, aos primeiros acordes faziam o público soltar gritos de reconhecimento e entusiasmo. Espremidos próximo do palco para interagir com a cantora, procurando um lugar com um pouco mais de espaço para exercitar os passos, ou em animadas rodas de amigos, não houve quem ficasse parado ou deixasse de acompanhar letra por letra.
Num samba mais despojado, na mensagem positiva de Gonzaguinha em “O que é, O que é?”, ou na homenagem ao carnaval vencedor da Vila Isabel com “Kizomba”, cada música do repertório era recebida como se a plateia dissesse ‘agora sim!’. Antes que o show acabasse, o público ainda fez coro a Mart’nália para mostrar que a festa valeu a pena, nas conhecidas estrofes “é hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar”, do samba “É Hoje”.

