30/07/2011 | 18:28  
Teatro e Circo se mesclam no calçadão de Bonito e divertem o público

          Três palhaços, um conflito e muito contato com o público resultaram em um clima de descontração na tarde deste sábado (30) que fecha as apresentações cênicas do 12º Festival de Inverno de Bonito. O espetáculo “Sério, Meio Sério e Nada Sério” da Cia BuBiÔ, FicÔ LÔ se passou no calçadão em frente ao Mercado Mundo Mix.

 

          A concentração dos atores iniciou no instante da montagem do cenário, que pelo colorido e formato despertou a atenção das pessoas e as convidou para permanecerem ali por cerca 50 minutos, tempo da duração da peça.

 

          O cenário feito de forma propositalmente simples deu irreverência ao espetáculo. “A montagem do cenário é rústica. Quando a trupe se propôs a montar a peça, a intenção era criar algo que pudesse ser montado facilmente como o teatro de rua pede, e que tivesse como característica aquele aspecto de bagunça, aquela coisa de viajante mesmo”, revelou a cenógrafa do grupo, Camila Bomtempo.

 

          E foi exatamente nesse instante que a história começou, entre uma viagem e outra, no meio da bagunça, objetos espalhados e roupas estendidas num varal improvisado, que Alderita se deu conta do sumiço de sua bela 'carçola' e a partir daí uma outra bagunça se instala. Batatinha e Tuingo, amigos da moça são acusados por ela pelo desaparecimento da roupa e por fim tiveram de que fazer de um tudo, piadas, acrobacias e trapalhadas, para contornar e acalmar o gênio forte da amiga.

 

          Nessa difícil missão, Tuingo e Batatinha convidam o público a entrarem em uma brincadeira, a de enrolar Alderita o tempo suficiente para que a situação se resolva. Enquanto isso, Alderita espalha seu “mau humor” da forma mais engraçada e espontânea possível, como deve ser no teatro e no circo.

 

  Riso garantido e público satisfeito, a exemplo, da pequena Emily Larrea, de 7 anos de idade, que assistiu a peça acompanhada da mãe, Elisabeth. “Gostei da engraçadice deles e me diverti muito com a Alderita. Ela foi a que mais gostei”, falou a menina, com um sorriso tímido. “Muito bonita e divertida a estória. Gostei de tudo e sempre que posso busco levar a Emily ao teatro. Acho que é isso é o legal do festival, trazer a arte para a população de Bonito”, afirmou a mãe.

 

          Outra mãe que aproveitou o festival para levar os filhos (os gêmeos de 7 anos, Hugo e Maria Ramos), ao teatro foi a funcionária pública Kátia Ramos. “Somos de Ponta Porã e como temos familiares em São Paulo, sempre, sempre levo as crianças para ver os espetáculos de lá. É nossa primeira vez em Bonito e aproveitei para trazê-los justamente por conta do Festin. Daqui iremos para a praça ver mais uma peça”, animou-se ela.

 

            O espetáculo que mistura a técnica do teatro e do circo, muitas acrobacias e a figura do próprio palhaço que enche de alegria a história, encantou as crianças e pouco a pouco quebrou a acanhamento dos adultos que se entregaram à proposta e interagiram com as cenas, à medida que os atores provocavam. O resultado foi sentido pelos artistas, que após a apresentação foram solicitados para tirar fotos pelo público.

 

            “Eu to adorando isso aqui. Viemos com muita expectativa. É nossa primeira vez em Bonito e também em Mato Grosso do Sul, e estamos aproveitando tanto pela cidade quanto pelo festival”, disse o ator e diretor do grupo Bobio Fico Lô, Nico Serrano.

 


              Cia

             A companhia Cia. BuBiÔ, FicÔ LÔ, de Circo e Teatro (SP) surgiu em 2006 e, conhecidência ou não, comemora seu aniversário no Festival. “Foi um presente para nós estarmos aqui justamente no mês em que completamos cinco anos de trabalho”, afirma Nico Serrano.

 

              O nome de “Sério, Meio Sério e Nada Sério” nasceu da idéia de Nico, que interpreta a personagem Tuingo. “O nome da peça surgiu a partir de uma pesquisa minha sobre as diversas posturas e reações do ser humano. E encontramos uma brecha de brincar com o comportamento humano”, explicou ele.

 

               O grupo paulista se reúne uma vez por semana para os ensaios e paralelamente realiza estudos sobre a arte do palhaço, no intuito do aperfeiçoamento das personagens e dos espetáculos como um todo. Tanto que, analisando a fundo, é possível identificar os arquétipos das três personagens. Alderita seria o que se chama de Branco, aquele palhaço mais carrancudo, o “mal humorado”, que sempre busca causar a opressão em seus companheiros. Os outros dois, Tuingo e Batatinha seriam o que se chama de Augusto, um perfil mais atrapalhado e por vezes doce, que na inocência e no bom humor sempre consegue vencer o Branco.

 

               Tão lúdico quanto o espetáculo é o nome da trupe, a Cia. BuBiÔ, FicÔ LÔ. “Certa vez um amigo nosso que hoje já não faz parte do grupo sonhou com aquilo que seria nosso nome. No sonho todos nós brincávamos e a brincadeira se chamava ‘Se você bobear fica louco’. Foi então que veio a ideia de reduzir o nome pra BuBiÔ, FicÔ LÔ”, conta Nico Serrano.

Aline Lira